
Entre montanhas, araucárias, estradas rurais e encontros com quem vive e cuida da Serra Catarinense, a quarta edição do Ciclofest mostrou que viajar de bicicleta pode ser muito mais do que percorrer quilômetros.
Há viagens que a gente mede em quilômetros. Outras, em encontros.
O Ciclofest Rural 2025 foi dessas que ficam difíceis de medir.
Durante quatro dias, entre 19 e 22 de junho, Urubici recebeu a quarta edição do Ciclofest Rural. Foram 58 participantes, cinco rotas de cicloturismo, uma trilha de caminhada, 224 quilômetros percorridos, cerca de 4.000 metros de altimetria e 11 empreendimentos visitados, além do contato com nove fornecedores de produtos rurais e centenas de pessoas impactadas diretamente
Mas os números contam apenas uma parte da história.
O que realmente aconteceu em Urubici foi um encontro entre pessoas, bicicletas, natureza, cultura e modos de vida.

Pelas estradas rurais de Urubici, cada quilômetro era também uma descoberta. No Ciclofest, pedalar é uma forma de entrar no território e conhecer seus caminhos, paisagens e pessoas.
Urubici foi escolhida justamente por reunir aquilo que o Ciclofest procura em seus destinos: natureza exuberante, comunidades acolhedoras, produção rural, patrimônio cultural e possibilidades de viver o território de maneira mais próxima e cuidadosa. E nossa casa foi o Ayllu Refugio foi um espaço muito especial e de uma pessoa incrivel que nos recebeu como familia .
Localizada na Serra Catarinense, a cidade é conhecida pelas montanhas, cânions, araucárias e pelo clima frio. A agricultura e a pecuária fazem parte da identidade local, assim como uma gastronomia marcada pelo pinhão, pela truta e pelos produtos artesanais.
Foi nesse cenário que os participantes chegaram para alguns dias de imersão.
A bicicleta seria o nosso meio de deslocamento, mas também uma espécie de passaporte.
Passaporte para entrar em estradas rurais, chegar mais perto das propriedades, conversar com quem produz, descobrir sabores, conhecer histórias e perceber detalhes que muitas vezes passam despercebidos quando atravessamos um território rapidamente.
E, claro, também para enfrentar algumas boas subidas.
Porque Urubici não economiza na altimetria.
Quem pedalou pelo interior de Urubici descobriu que a paisagem serrana é feita de contrastes.
Araucárias dividem espaço com campos, matas, propriedades rurais e estradas de chão. Em alguns momentos, o caminho se abre para grandes horizontes. Em outros, a estrada desaparece entre árvores e curvas.
O frio também fez parte da experiência.
E talvez seja justamente isso que torna o cicloturismo tão especial: a paisagem não está apenas diante dos olhos. Ela passa pelo corpo.
Sentimos a temperatura, o vento, a chuva, o esforço da subida, o alívio e adrenalina da descida. Paramos para respirar. Esperamos quem ficou para trás. Rimos. Tiramos fotos. Seguimos juntos.
No Ciclofest, ninguém precisa chegar primeiro.
O importante é chegar junto.

Depois da subida, a recompensa: um dos grandes cenários da Serra Catarinense compartilhado entre amigos. No Ciclofest, a paisagem é parte da experiência — e a conquista fica ainda melhor quando é coletiva.

As rotas foram pensadas para que o caminho fosse também uma experiência cultural.
Ao longo dos quatro dias, o grupo visitou empreendimentos rurais e culturais e teve contato com produtores e iniciativas locais. O objetivo era simples: fazer com que o visitante não apenas passasse pelo território, mas tivesse tempo para conhecê-lo.
É uma das idéias que estão no coração do Ciclofest.
Viajar devagar para perceber mais.
Em cada parada havia alguma coisa para descobrir: uma história, um produto, uma conversa, uma maneira diferente de produzir ou simplesmente o prazer de sentar à mesa e compartilhar uma refeição.
A gastronomia teve um papel importante nessa experiência. Em Urubici, o pinhão não é apenas um alimento. Faz parte da paisagem, da economia e da cultura da Serra. As araucárias marcam o território e o pinhão aparece nas festas, nas receitas e na vida cotidiana das comunidades. E chegamos na época certa!
A tradicional sapecada de pinhão foi uma dessas experiências que ajudam a entender o lugar não por meio de explicações, mas vivendo a cultura.
Mas o Ciclofest também foi feito de momentos em que as bicicletas ficaram paradas.
Porque viajar não é somente fazer.
É também conversar.
É ouvir.
É trocar.
A programação incluiu oficinas, bate-papos e momentos de reflexão sobre turismo responsável, agroecologia, consumo consciente, o papel das unidades de conservação de uso integral e sustentável, cultura e as transformações que podemos provocar a partir das nossas escolhas.
O debate proposto pelo festival partia de uma pergunta simples e provocadora:
Que tipo de turismo nos faz verdadeiramente felizes?
E, a partir dela, outras perguntas apareciam.
Que impacto deixamos quando visitamos um lugar?
Como nossas escolhas podem fortalecer quem vive no território?
É possível viajar e, ao mesmo tempo, contribuir para que o destino permaneça vivo?
Essas conversas fazem parte da essência do Ciclofest. A proposta é aproximar cicloturismo, cultura, natureza e desenvolvimento territorial, fortalecendo redes locais e estimulando formas mais responsáveis de viajar.

Porque algumas viagens são feitas de quilômetros, mas lembradas pelos encontros. ❤️
Durante o festival, a bicicleta dividiu espaço com a música, o cinema, a gastronomia e outras manifestações culturais.
A programação trouxe artistas e convidados para conversar sobre sustentabilidade, turismo, agroecologia e cultura. Também houve espaço para cinema e música, criando aquelas noites em que o cansaço do pedal dá lugar à conversa, à comida, à fogueira e às histórias.
Foi assim que o Ciclofest foi ganhando outro ritmo.
De dia, estrada.
À tarde, encontros.
À noite, música, comida e conversa.
E entre uma coisa e outra, muita gente descobrindo que tinha vindo para pedalar, mas acabaria levando para casa muito mais do que lembranças das paisagens.
Talvez uma das imagens mais bonitas desta edição seja justamente aquela que não mostra bicicleta nenhuma.
Um abraço.
Porque existe algo muito particular nos encontros que acontecem durante uma viagem de bicicleta.
As pessoas chegam de lugares diferentes, com histórias diferentes, níveis de experiência diferentes. Algumas já se conhecem. Outras chegam sozinhas.
Depois de alguns dias compartilhando estradas, frio, subidas, refeições, dificuldades, risadas e descobertas, alguma coisa muda.
A distância entre desconhecidos diminui.
Nascem amizades.
Criam-se redes.
E o território deixa de ser apenas um lugar visitado. Passa a ter nomes, rostos e histórias.
É por isso que dizemos que o Ciclofest é muito mais do que um evento de bicicleta.
Ele é um encontro entre pessoas com bicicletas.

Nem tudo acontece sobre duas rodas. Parar, conversar, ouvir e trocar experiências também faz parte do caminho.
Quando os últimos participantes deixaram Urubici, as estradas voltaram ao seu ritmo cotidiano.
Mas alguns encontros permaneceram.
A edição de 2025 fortaleceu relações com empreendedores, produtores rurais e iniciativas locais. O próprio balanço do festival aponta a formação de uma experiência de cicloturismo voltada à sustentabilidade e à regeneração, conectando visitas a empreendimentos culturais e rurais, natureza, alimentação e aprendizado.
Também ficou mais clara uma convicção que vem acompanhando o Ciclofest desde sua primeira edição:
o cicloturismo pode ser uma ferramenta para desenvolver territórios sem perder aquilo que os torna especiais.
Isso significa valorizar quem vive no lugar, consumir produtos locais, respeitar os ritmos das comunidades, cuidar das áreas naturais e criar oportunidades para que o turismo distribua seus benefícios de maneira mais equilibrada.
Em Urubici, essa ideia ganhou forma nas estradas, nas propriedades, nas mesas e nas conversas.
Talvez seja esse o maior legado de uma experiência como essa.
A viagem termina, mas continua dentro da gente.
Volta para casa na fotografia de uma montanha, na lembrança de uma subida difícil, no sabor de uma comida compartilhada, na música de uma noite fria.
Renova as amizades com contato de uma pessoa que conhecemos pelo caminho.
Sentindo naquele abraço.
E volta também como uma pergunta:
como podemos viajar melhor?
O Ciclofest Rural 2025 terminou em Urubici com gratidão a todos que pedalaram, acolheram, cozinharam, produziram, tocaram, ensinaram, fotografaram, trabalharam e compartilharam seus saberes.
O registro oficial da edição resume bem esse sentimento: entre montanhas, rios e estradas rurais, o grupo celebrou a vida simples do campo, os saberes das comunidades e as iniciativas que acreditam em um turismo mais responsável e humano.
E talvez seja justamente isso que o Ciclofest procura fazer, edição após edição:
pedalar para chegar mais perto.
Viajar para conhecer.
Conhecer para valorizar.
E valorizar para cuidar.
Urubici ficou para trás na estrada.
Mas aquilo que vivemos por lá continua pedalando com a gente.
Até o próximo encontro!!!!
Gratidão do fundo do coração a todos os participates e aos parceiros:
@acolhidanacolonia Velho Pai
@gralhaazul.eco
@expandindomundos
@ficasc.oficial
@fosforoproduções
@parquesnacionais
@elisabethgoncalo
@mechamovitoriaa
@cafecolonialdosbugres
@artesabanaurubici
@parnasaojoaquim
@juanrivasbeasley