Um pouco mais sobre estas cidades adoráveis e repletas de aventuras

E é nesse encontro entre o humano e o natural, entre a simplicidade e a autenticidade, que essas cidades se tornam catalisadoras de transformações. São lugares onde as trocas são mais do que comerciais, são trocas de experiências, de saberes, de afetos. Lugares que, para quem compreende o verdadeiro valor do bem-estar, se tornam não apenas destinos, mas abrigos para a mente e o coração.

Morro Grande será a sede do Ciclofest Rural 2024

Aconchegado aos pés dos enormes paredões dos Cânions do Sul, encontra-se a pequena, harmônica e simpática cidade de Morro Grande, de onde partimos para visitar as cidades vizinhas de Jacinto Machado, Timbé do Sul e Nova Veneza cada uma dessas cidades reserva peculiaridades que transcendem uma mera experiência turística!

Morro Grande é um pequeno município com aproximadamente 3 mil habitantes, segundo o último censo (IBGE/2022), que compõem o território do Geoparque Mundial da UNESCO Caminhos dos Cânions do Sul. A maioria dos seus moradores são descendentes de italianos que chegaram ao local em meados de 1918. Entretanto, sua relevância científica internacional, histórica e cultural remete-se também para muito antes disso.

Em Morro Grande encontra-se montanhas, cânions - Realengo, Montenegro e Boa Vista, cachoeiras - Rio Pilão, Bizungo, da Pedra Branca, da Toca do Tatu, do Arco-íris, além da Queda do Risco, rios, fósseis - como troncos petrificados - e ricos vestígios paleontológicos, como as paleotocas: tocas escavadas pelos animais da megafauna (tatus e preguiças gigantes) no Período Quaternário. Foram encontrados vestígios dos Laklãnõ-Xokleng e seus descendentes que fazem parte do acervo do Museu da Terra e da Cultura de Morro Grande.

Os tropeiros se apropriaram dos caminhos e trilhas já abertos pelos indígenas em meio a mata fechada, para transitar com suas tropas e mercadorias para a venda ou troca na região serrana e litorânea do extremo sul catarinense. Esta miscigenação propõe um rico patrimônio cultural, principalmente transitando pela gastronomia, religiosidade, agricultura, artes, literatura, entre outras expressões.

A imigração italiana é responsável por inúmeros aspectos do patrimônio cultural morrograndense, a destacar por intermédio dos saberes envolvendo a agricultura. Destaca-se as múltiplas formas de plantar e colher, o uso das ferramentas (rodas d’água, zorra, arados, mesura, ceguetes, gadanhas, pilão etc.), a arquitetura rural (os engenhos, as atafonas, os ranchos, alambiques, entre outros), os meios de transporte de tração animal (carro de bois e carroças), entre outros. Muitas destas peças encontram-se no Museu da Terra e da Cultura de Morro Grande. A agricultura tem vínculo direto com a gastronomia, principalmente com o uso do milho, arroz, feijão, carnes (gado, porco e frango) e leite e seus derivados. Destaca-se a polenta, a fortaia, risoto, macarronada, churrasco, salame, queijo, pães sovados, doces, bolachas caseiras, chimias, sagu, pudim, ministra, ambrosia, vinho, cachaça, caldo de cana, torresmo, brodo etc. É comum também serem realizados em encontros de famílias, como é o caso dos dias em que secarneia os porcos, churrascos, aniversários e datas comemorativas.

Jacinto Machado

Emoldurada pela beleza natural da região, esta cidade com seus mais de 10 mil habitantes também é conhecido por suas hospitalidade calorosa e um ambiente acolhedor, a cidade oferece aos visitantes a oportunidade de mergulhar na essência da vida rural catarinense e explorar as belezas naturais e culturais que tornam este lugar verdadeiramente especial.

O Município de Jacinto Machado localiza-se no Extremo Sul de Santa Catarina na região turística Caminho dos Canyons, com aproximadamente 430,7 km² de extensão. Situado na encosta da Serra Geral, o município faz parte do território Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul (UNESCO) e do Parque Nacional da Serra Geral que guarda o principal patrimônio turístico de Jacinto Machado: O Cânion Fortaleza, cujas paredes fazem o visitante se sentir minúsculo diante da sua imponência. Nos arredores da cidade, encontram-se montanhas areníticas com esculturas naturais e paredões propícios para a prática do rapel. No centro da cidade, o museu histórico municipal destaca as peças antigas que foram utilizadas pelos povos indígenas e colonizadores. As principais fontes de renda que movimentam a economia do município vem principalmente da agricultura: como o cultivo do arroz, banana e da agropecuária.

É em Jacinto Machado que encontramos uma localidade que nos transporta ao imaginário das histórias de infância. A comunidade do Engenho Velho, do ancestral ao espiritual, nos comove com tanta beleza e delicadeza: paleotocas misteriosas, a Cachoeira do Burin de águas cristalinas, a Trilha Morro do Carasal, posicionada em frente ao majestoso Cânion da Fortaleza, a cachoeira mística da Caveira, o Sítio Engenho da Pedra, tradição na produção de açúcar mascavo de tempos passados, e, finalmente, o encantador Sítio da Nona, com produtos da agricultura familiar e comidas temperadas com afeto.

Timbé do Sul

Timbé do Sul, um enclave encantador no extremo sul de Santa Catarina, é um refúgio repleto de belezas naturais e experiências singulares. Emoldurada por cenários campestres e paisagens exuberantes, esta cidade acolhedora atrai visitantes em busca de paz, aventuras e contato com a natureza. E aos amantes dos desafios de bicicleta é onde encontra-se a tão desejada Serra da Rocinha!

O ecoturismo é o maior atrativo de Timbé do Sul, cidade com 5.300 habitantes, de colonização italiana e tem como sua base econômica a agricultura. Entre seus principais atrativos, destacam-se as belíssimas cachoeiras, que deslumbram os visitantes pois oferecem momentos de contemplação e refresco em meio à natureza. Além disso, as trilhas ecológicas permitem interagir com a rica biodiversidade local, proporcionando uma imersão única nas belezas naturais da região. Durante todo o ano os ecoturistas e aventureiros têm oportunidade de desbravar e praticar esportes radicais em recantos de rara beleza, como o Cânion do Amola Faca, a Cachoeira da Cortina, o Poço do Caixão e o Rio do Salto.

A produção rural também é diversificada. Os agricultores da região cultivam uma variedade de produtos, incluindo milho, feijão, mandioca, tabaco e frutas. Além disso, a pecuária também desempenha um papel significativo, com a criação de gado de corte e leiteiro. A diversificação na produção agrícola contribui para a sustentabilidade econômica da comunidade rural de Timbé do Sul.

A cultura e a história de Timbé do Sul também se manifestam em sua arquitetura tradicional e nas festividades que celebram as tradições locais.  Os maiores eventos da cidade são a festa do padroeiro São Roque, em agosto, e o Festival Sul-Brasileiro de Vôo Livre que colore os céus em outubro. Os habitantes acolhedores e hospitaleiros refletem a identidade vibrante dessa comunidade, oferecendo aos visitantes uma experiência marcante e genuína no interior de Santa Catarina. Atualmente a cidade vem crescendo muito em relação a hospedagens com suas belas pousadas, que são preparadas para todos os públicos.

Nova Veneza

Com mais de 13 mil habitantes, Nova Veneza, localizada no sul de Santa Catarina, é uma cidade que harmoniza sua rica herança cultural com uma economia dinâmica, abraçando o turismo, a agricultura e a indústria. Reconhecida por sua forte influência italiana, a cidade preserva com vigor suas tradições, refletidas na arquitetura, na culinária e nas celebrações locais.

Os atrativos culturais de Nova Veneza incluem a marcante história italiana evidente na arquitetura das casas e igrejas, assim como nas festividades que honram a riqueza da cultura e das tradições italianas ao longo do ano. Além disso, a região oferece cenários naturais encantadores, com paisagens campestres, trilhas ecológicas e opções para quem busca relaxar em meio à exuberante natureza.

Em 2006, a cidade foi presenteada com um símbolo de grande significado para a região: uma gôndola doada pelo Governo de Veneza, na Itália, batizada de Lucille, simbolizando a aproximação entre essas cidades.

Na agricultura, encontramos as raízes dessa origem, heranças que o tempo não apaga. Na agricultura familiar encontramos produtos como embutidos, laticínios, cachaças doces e geléias.  E algumas práticas tradicionais de origem italiana, como a produção de vinhos, cultivo de frutas e a gastronomia, marcam a sua verdadeira identidade.

Além dos restaurantes renomados, Nova Veneza é abençoada com padarias e confeitarias que são verdadeiros deleites para os sentidos. Os aromas irresistíveis e os sabores deliciosos de pães frescos, doces, cucas e bolos artesanais surpreendem e encantam os visitantes.

A cidade também tem como início o término da Rota do Aguaí de Cicloturismo. Esta rota recém-inaugurada conecta diversas cidades, incluindo Siderópolis (Nova Belunno), Treviso e Morro Grande (Nova Roma). Os ciclistas têm a oportunidade de explorar paisagens deslumbrantes, interagir com a natureza e mergulhar na rica cultura local ao longo desse percurso.